A razão está morta na política brasileira. Para contestar uma afirmação ou acusação não é mais preciso que se apresente um argumento lógico, factual ou minimamente comprometido com a realidade; basta dizer qualquer coisa, qualquer besteira de fachada. Não é nem mesmo preciso se preocupar se alguém vai acreditar naquilo que se argumenta; pode ser a inverdade mais escancarada, pode não fazer nenhum sentido, pode ser o exemplo mais evidente de dialética erística, desde que, é claro..., você pertença à facção criminosa que, no momento, está no comando do puteiro (aquele prédio, lá em Brasília, terra da fantasia, em que se lê "Senado"). Porque, tendo o poder, pode-se mandar e desmandar nesta josta, que ninguém liga a mínima, claro que tem um ou outro jornal - mas quem lê jornal? - e tem também uma parcela irrisória da população que tem alguma informação e instrução para revoltar-se com a situação toda; como esta parcela não passa de uns míseros 3%, por que se preocupar? Para que se dar ao trabalho de acobertar a falcatrua? E por que tê-la por falcatrua? Se apropriar-se do dinheiro público já é materialmente institucionalizado porque não institucionalizá-lo de vez, preto no branco? Acabar com esta história de dinheiro público, teremos doravante apenas dinheiro privado: o imposto que sai do bolso do crédulo cidadão já tem dono, é dinheiro privado, pode-se fazer inclusive nominal; “este I. R. aqui, vai direto para o Sr. Sarney, cangaceiro destas bandas, ou ao apadrinhado de sua ordem”. Será como nos tempos anteriores ao iluminismo – pois é para lá que estamos indo, para onde mais? – teremos uma oligarquia absolutista, que cada vez menos precisará preocupar-se em alimentar uma máscara democrática. Não se engane, o que estão fazendo todo dia no plenário, ao vivo e à cores - quando não cortam a transmissão - não é roubar mais do que roubam rotineiramente. Não, não é isto que eles estão fazendo ou discutindo. O que eles estão fazendo é decidindo se vão desmontar ou não mais um pedaço da máscara democrática
Se você teme pelo futuro deste país, cuidado, porque é isto que vai acontecer; e não duvide que você viverá para isto.
Texto de Geraldo Cappelletti Ferreira cedido para postagem neste blog
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