sábado, 5 de junho de 2010

LULA, O MITO DA INTELIGENCIA

Parece consenso afirmar que o presidente Lula é inteligente.
Ouvimos isso constantemente, e mesmo a oposição não contesta essa afirmação, mas de onde saiu essa idéia absurda, que não resiste a qualquer análise lógica?

Nunca vi uma pessoa inteligente orgulhar-se de sua ignorância e afirmar com arrogância, não gostar de ler.

Como considerar inteligente uma pessoa que com acesso a todas as facilidades de tempo e recursos para educar-se, por mais de 30 anos, nunca teve interesse em estudar e aperfeiçoar seus conhecimentos?

Vejo três idéias principais envolvidas na criação desse mito:

A primeira, advinda da cultura popular, pretende que a sabedoria pratica seja superior a sabedoria escolar ou acadêmica. Esse mito, atende a necessidade dos que não tiveram acesso à cultura formal, de se auto afirmarem com esses contos e histórias, relegando a um plano inferior a teoria e o estudo. O Jeca de Mazzaroppi, o Pedro Malazartes e outros personagens corporificam essa esperteza confundida com inteligência ou sabedoria. Qualquer um que tenha contato com pessoas de baixa escolaridade, sente o quanto é arraigada essa idéia e como é importante para a construção de uma auto imagem positiva em um mundo cada vez mais complexo.

A segunda idéia, quase um corolário da primeira, relaciona-se com o mito marxista da classe operária como classe dinâmica da sociedade, única detentora dos rumos da mudança social e conseqüentemente, detentora de um conhecimento além do alcance da classe burguesa, mito que idealiza a figura do operário e que é intensamente cultivado entre intelectuais, movimento estudantil e meios jornalísticos.

A terceira é o mito capitalista do self made man, que afirma:
Se ele chegou lá (não importa por que meios), sem dúvida é uma pessoa inteligente, mais inteligente que as demais.

Quanto ao Presidente Lula, sem negar-lhe as qualidades de comunicador nem desmerecer o sucesso em sua trajetória pessoal, não tenho registro de qualquer fala sua, que pudesse ser considerada inteligente.

Quando fala de improviso ou tentando transmitir seus próprios pensamentos, temos discursos rudimentares, com idéias confusas e preconceituosas, usando toscamente metáforas mal construídas e fáceis. Um sem fim de estultices sem reflexão ou compromisso, que comumente chamamos de “conversa de botequim”, de facil compreensão e aceitação por serem lugares comuns e obviedades várias, servidas a la carte para a audiência do momento.
Se uma atitude de metamorfose ambulante pode ser considerada inquietação criativa em um artista não creio que a mesma conduta seja desejável em um político.
Na verdade, uma pessoa que muda constantemente seus pontos de vista segundo seus interlocutores é uma boa definição tanto para um tolo quanto para um oportunista.
Um esperto, um caso de sucesso, ou mesmo "o cara" (o traficante que lidera o trafico no morro é também é o cara), mas, por favor, inteligente não!